Alzheimer: exame de sangue pode auxiliar na investigação precoce da doença
A perda de memória faz parte do envelhecimento normal? Ou pode ser um sinal de algo mais sério?
Essa é uma dúvida frequente entre pacientes e familiares. Pequenos esquecimentos ocasionais podem acontecer em qualquer idade, mas quando passam a interferir na rotina, dificultam atividades do dia a dia ou se tornam progressivamente mais frequentes, merecem avaliação médica.
A Doença de Alzheimer é a causa mais comum de demência no mundo e representa um importante desafio para a saúde pública. Estima-se que milhões de pessoas convivam com a doença sem receber um diagnóstico adequado. No Brasil, estudos indicam que cerca de 80% dos casos permanecem sem diagnóstico, o que pode atrasar o início do acompanhamento e do tratamento adequado.
Nos últimos anos, os avanços da medicina permitiram uma mudança importante na forma de investigar essa doença. Além da avaliação clínica e dos exames de imagem, hoje já existem biomarcadores sanguíneos capazes de fornecer informações valiosas para auxiliar o médico na investigação da Doença de Alzheimer.
O que é a Doença de Alzheimer?
A Doença de Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva. Isso significa que ocorre uma perda gradual de neurônios e de suas conexões, levando ao comprometimento de diferentes funções cerebrais ao longo do tempo.
Os primeiros sintomas costumam envolver alterações na memória recente, mas a doença também pode afetar:
- atenção;
- linguagem;
- raciocínio;
- orientação espacial;
- planejamento de atividades;
- comportamento;
- autonomia para tarefas do dia a dia.
A evolução costuma ser lenta e progressiva, tornando fundamental o reconhecimento precoce dos sinais para que o paciente possa receber acompanhamento especializado.
Nem todo esquecimento significa Alzheimer
É importante destacar que esquecer nomes, compromissos ou onde deixou um objeto nem sempre significa Alzheimer.
Diversas condições podem provocar sintomas semelhantes, entre elas:
- ansiedade;
- depressão;
- alterações da tireoide;
- deficiência de vitamina B12;
- distúrbios do sono;
- uso de determinados medicamentos;
- outras doenças neurológicas.
Por esse motivo, nenhum exame isolado é capaz de estabelecer o diagnóstico definitivo. A avaliação médica continua sendo indispensável para identificar a causa das alterações cognitivas.
Como o diagnóstico era realizado até pouco tempo?
Tradicionalmente, a investigação do Alzheimer baseava-se principalmente na história clínica, no exame neurológico e em testes cognitivos.
Quando necessário, o médico podia solicitar exames complementares como:
- ressonância magnética;
- tomografia por emissão de pósitrons (PET amiloide);
- análise do líquor obtido por punção lombar.
Embora esses métodos continuem tendo grande importância, alguns deles possuem custo elevado, disponibilidade limitada ou são procedimentos mais invasivos.
Nos últimos anos, a pesquisa científica passou a concentrar esforços no desenvolvimento de exames de sangue capazes de identificar alterações biológicas relacionadas ao Alzheimer de forma mais simples e acessível.
O que são biomarcadores?
Biomarcadores são substâncias presentes no organismo que fornecem informações sobre processos biológicos normais ou alterações relacionadas a determinadas doenças.
No caso da Doença de Alzheimer, alguns biomarcadores estão associados ao acúmulo de proteínas características da doença e ao dano dos neurônios.
Esses marcadores não substituem a avaliação clínica, mas podem fornecer informações adicionais que ajudam o médico na investigação diagnóstica.
Quais biomarcadores podem ser avaliados?
Entre os biomarcadores atualmente utilizados destacam-se:
Beta-amiloide 42 (Aβ42)
É uma proteína naturalmente produzida pelo organismo. No Alzheimer, ela pode formar depósitos anormais no cérebro, conhecidos como placas amiloides.
Beta-amiloide 40 (Aβ40)
Também faz parte do metabolismo normal da proteína beta-amiloide. Quando analisada em conjunto com a beta-amiloide 42, ajuda a reduzir a variabilidade dos resultados.
Razão Beta-amiloide 42/40
Atualmente, essa razão é considerada um dos indicadores mais úteis na investigação laboratorial, pois apresenta melhor correlação com o acúmulo de placas amiloides do que a avaliação isolada da beta-amiloide 42.
Neurofilamento de cadeia leve (NFL)
O NFL é uma proteína estrutural dos neurônios liberada quando ocorre lesão das células nervosas.
Embora não seja específico para Alzheimer, níveis elevados podem indicar neurodegeneração e ser observados em diferentes doenças neurológicas. Quando interpretado juntamente com os demais biomarcadores e com a avaliação clínica, pode contribuir para uma investigação mais completa.
O que é o exame MEMORA?
O MEMORA é um exame laboratorial desenvolvido para auxiliar a investigação da Doença de Alzheimer por meio da análise de biomarcadores sanguíneos relacionados à doença.
Seu objetivo é fornecer informações complementares ao médico durante a avaliação clínica, contribuindo para uma investigação mais precisa quando existe suspeita de comprometimento cognitivo.
É importante reforçar que o exame não confirma nem exclui sozinho o diagnóstico de Alzheimer.
O resultado deve sempre ser interpretado pelo neurologista, geriatra ou outro médico responsável, juntamente com a história clínica, exame físico, testes cognitivos e outros exames complementares.
Quais são as vantagens dos biomarcadores sanguíneos?
A utilização de biomarcadores no sangue representa um importante avanço na medicina personalizada.
Entre suas principais vantagens estão:
- coleta simples por exame de sangue;
- menor invasividade em comparação à punção lombar;
- possibilidade de complementar a investigação clínica;
- auxílio na estratificação do risco;
- apoio à decisão médica sobre exames adicionais e acompanhamento.
Especialistas destacam que esses exames representam uma evolução importante rumo ao chamado diagnóstico biológico da doença, permitindo identificar alterações relacionadas ao Alzheimer com maior precisão do que era possível apenas com a avaliação clínica.
Quem pode conversar com o médico sobre esse exame?
A investigação por biomarcadores pode ser considerada pelo médico em situações como:
- perda de memória persistente;
- alterações cognitivas progressivas;
- histórico familiar de Doença de Alzheimer;
- dificuldades de planejamento ou organização das atividades diárias;
- suspeita clínica durante consulta com neurologista ou geriatra;
- necessidade de complementar a investigação diagnóstica.
A indicação deve sempre ser individualizada, levando em consideração a história de cada paciente.
O diagnóstico precoce faz diferença?
Embora ainda não exista cura para a Doença de Alzheimer, identificar a doença em fases iniciais pode trazer benefícios importantes.
O diagnóstico precoce permite:
- iniciar o acompanhamento especializado mais cedo;
- planejar estratégias de cuidado;
- orientar familiares e cuidadores;
- controlar fatores que podem agravar o quadro;
- avaliar a indicação de tratamentos disponíveis;
- acompanhar a evolução clínica com maior precisão.
Além disso, novas terapias vêm sendo estudadas em diversos países, tornando cada vez mais importante identificar precocemente os pacientes que podem se beneficiar de um acompanhamento adequado.
Tecnologia a favor da saúde cerebral
A medicina vive um momento de grande evolução na investigação das doenças neurodegenerativas. Os biomarcadores sanguíneos representam uma ferramenta promissora para complementar a avaliação clínica, oferecendo uma alternativa mais simples e menos invasiva para auxiliar na investigação da Doença de Alzheimer.
Na Bioos Exames Laboratoriais, acreditamos que a inovação deve caminhar ao lado da segurança e da medicina baseada em evidências. Por isso, disponibilizamos exames modernos de medicina personalizada que podem contribuir para uma investigação mais precisa quando indicados pelo médico.
Se você ou um familiar apresenta alterações persistentes de memória, converse com um neurologista ou geriatra. Caso o exame seja indicado, nossa equipe está preparada para orientar sobre o preparo, a coleta e o agendamento.


